sexta-feira, 23 de março de 2012

AO MESTRE COM CARINHO


 Falem comigo vascaínos!

Hoje tenho o imenso prazer em dividir com meus amigos vascaínos, um texto feito por Jo Mariano, flamenguista, escritor, e dono do blog Flagaiato. E antes que me critiquem ou parem de ler, ja vou dizendo que o cara  me emocionou com um texto maravilhoso homenageando o grande vascaíno CHICO ANYSIO. Merece estar aqui,  e tenho certeza que vocês irão gostar!






Chico Anysio é talvez o brasileiro mais brasileiro da história. Se não por brasileirismo por maioria de votos. Vascaíno declarado, filho de um ex-presidente do Ceará e amante do futebol (de onde tirou a personagem Bolada, um fanático admirador do esporte bretão), Chico nunca escondeu seu carinho pelo Brasil, pela sua gente e pelas peculiaridades brazucas. O homem multifaces é a personificação do pensamento inútil que tanto defendo: De que ligar o Vasco da Gama à Portugal é canalhice das grossas.

De português o Vasco só tem o nome, porque a alma, assim como a de Chico é brazuca, afinal não dá pra achar veia portuguesa em quem viveu durante toda a existência 210 fidedignos brasileiros. Chico, o único Francisco que escolheu ser Chico, tinha correndo em suas veias cruzmaltinas muito do que julgo correr nos canais sanguíneos da brazucada. Mulambismo - talvez por já ter sido Flamengo ao longo de sua longa vida. Desculpem-me, mas sem uma boa dose de morro, fome, tragédia e chinelo não se faz piada, não se vira Chico. E ele foi um homem que mesmo no auge, já bem sucedido sempre deixou claro que ser mulambo é ser brasileiro e fugir do mulambismo é negar as raízes.

Em seus 209 personagens é impossível que não nos víssemos em pelo menos um. Veja que ironia, eu me vendo na pele de um ilustre vascaíno. Mas Chico era mais que vascaíno, ele era brasileiro, era gente da gente, era gente que ria, era gente fazia sorrir. Era gente que nos momentos de alegria se rasgava e na hora da tragédia se rasgava mais ainda.

Certa vez disse que da morte não tinha medo, mas da morte tinha pena. Sim, eu também tenho pena da morte. Virou piada anos seguidos nas mãos do mestre Chico. Judiou, jogou no chão, entrevou, tirou o ar, mas Chico riu. Chico apenas sorriu. Sorria ironicamente como naquele pênalti maroto que o árbitro contra seu Vasco marcava. Quem era a morte para tirar do ar o velho Chico?

Logo o Chico palmeirense, vascaíno, já rubro-negro, americano, gremista, colorado e cruzeirense quando em Minas? Quem a morte pensa que é? Aliás, não acredito que hoje a Velha louca da foice inflamada tenha enfim vencido. Chico que cansou de fazê-la de idiota e resolveu se retirar para da morte poder rir sozinho.

O inimaginável Chico se foi, mas suas memórias e seu amor pelo futebol certamente ficarão. Os times brasileiros inclusive deveriam todos estar de luto, pois morreu o velho comentarista de futebol da Rádio Tupi de tempos longínquos cujos admiradores afirmam que dizia menos asneiras que Galvões, Arnaldos e Noronhas. O mínimo a se fazer é geral entrar de luto pelo velho Chico que dentre tantas obras primas como comediante, humorista, pintor e comentarista deixou um pensamento interessantísimo que certamente um dia o canonizará como o padroeiro dos Vira-casaca.

“Eu acho o seguinte: você muda de mulher e não é vira-leito. Você muda de rua e não é vira-placa. Você muda de fé e não é vira-cruz. Quando muda de time, é vira-casaca. Por quê? Eu estou Vasco. Se o Vasco fizer uma grande sacanagem com alguém amanhã, eu deixo de ser. Imediatamente.”

Não deu tempo da sacanagem acontecer e a luz do velho maranguapense se acendeu Ceará, virou Palmeiras, foi Flamengo, América e tantos outros, mas se apagou e se eternizou como cruzmaltina. Agora sim ele será para sempre lembrado, respeitado, idolatrado e eterno, como o Vasco que escolheu amar e respeitar até fim da sua vida.

Vai com Deus mestre Chico!
Jo Mariano

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